sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Coração Viciado


Quando o coração aperta pela primeira vez, todos os dias anteriores parecem ter sido inúteis. E se pensa em como foi possível viver tantos anos sem esse fogo que consome o corpo e entorpece a alma, se será possível um dia continuar sem ele.

L’amour é vício, e como sofro nas crises de abstinência. Tento me afiliar aos Amantes Anônimos buscando uma cura para esse mal, que me deixa maltrapilho.

Se fosse cocaína, venderia meu carro, minha casa, se fosse crack venderia os eletrônicos, meu laptop, meu corpo; ah mas se fosse álcool eu me jogaria na sarjeta e venderia a prata da casa, pra viver louco enquanto o efeito durasse.
Mas não, essa droga é pior e não há tratamento, é furor nas veias, é a nóia mais deliciosa do mundo, o barato dos baratos, psicodélico e transmutador.
Quando a droga é injetada no coração, pode ter certeza de que está eternamente condenado à escravidão. E você precisa de mais e mais; doses cada vez maiores de paixão, amor e prazer. O gozo não é suficiente, a boca dormente não significa mais nada, o toque já não terá o mesmo efeito. Agora o desejo é o de fusão completa, é ele dentro de mim, e eu dentro dele, somos nós um só numa explosão de paz.

L’amour, que droga! Se sinto falta, não tenho o que vender, eu só penso em dar, não vendo prata, eu dou meu coração em salvas de prata, não vendo meus cds, eu canto e não cobro nada por isso, sequer vendo meus livros usados, eu escrevo cartas de amor, tampouco venderia meu carro, eu vou descalço pra sentir a telúria da força animal.

È coisa que não tem preço, e quase não tem tamanho, mas como todo vício, tem seus altos e baixos; como toda droga, leva a dependência e a derrocada. Por ser droga, pode te vencer e te destruir. Exposto com as vistas ao Sol voluntariamente, e todos os dias uma águia vem e arranca um pedaço das suas entranhas, você acha que não suporta mais, que vai morrer, que tudo terminou. Mas o órgão maldito trata de crescer alimentado por gotas de esperança, e quando menos espera; eis que vem novamente a ave de rapina e arranca-lhe mais um pedaço das entranhas.

Quem pode viver assim?! Como pode-se viver dessa maneira, não agüento, estou definhando com esse vício, estou atordoado, no limite entre o êxtase e a dor. Mais quantos meses, quantos dias... quantas horas? Sempre achei que a melhor maneira de se livrar de um vício, é desde o princípio, não experimentar a droga. Mas agora já provei do vinho envenenado, só me resta aguardar, e usar essa droga até a overdose, quem sabe tenha valido a pena.

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